Beto Richa marca para dia 30 saída da prefeitura
O prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), renuncia ao cargo no próximo dia 30, para disputar o governo do Estado. A decisão foi tomada em reunião do comando tucano paranaense com o prefeito, na noite da última quarta-feira. Pela legislação eleitoral, os ocupantes de cargos Executivos que vão disputar a eleição de outubro têm que sair até 2 de abril. Como a data cai na Sexta-feira Santa, Richa decidiu antecipar a saída. O governador Roberto Requião (PMDB), que também deixa o cargo para disputar uma vaga no Senado, marcou sua despedida para 31 de março.
Reeleito em 2008 no primeiro turno com 77% dos votos, o tucano deixa a prefeitura após pouco menos de um ano e três meses do segundo mandato, e será substituído pelo atual vice, Luciano Ducci (PSB). A pré-candidatura de Richa ao governo, aprovada pelo Diretório Estadual do PSDB no último dia 22, é amparada justamente na alta popularidade e nos índices obtidos nas pesquisas de intenção de voto. Richa é apontado como o favorito na disputa em praticamente todos os levantamentos, em uma disputa que tudo indica, deve ser polarizada entre ele e o senador Osmar Dias (PDT). A escolha do prefeito foi decidida após uma disputa interna com o senador Alvaro Dias – que também pleiteava a indicação de candidato tucano à sucessão de Requião.
A renúncia e a polarização praticamente acaba de vez com as chances de manutenção da aliança que uniu Richa e Osmar nas últimas três eleições. Em 2004 e 2008, o senador apoiou a eleição do tucano para a prefeitura. Em 2006, Richa apoiou Osmar na disputa pelo governo do Estado, quando o senador do PDT foi derrotado por Requião por uma diferença de pouco mais de dez mil votos.
Osmar esperava ter o apoio do tucano na disputa eleitoral deste ano, mas a união foi desfeita diante do resultado eleitoral de 2008, em que a votação recorde para a prefeitura transformou Richa em um candidato natural do PSDB ao governo do Estado. A tendência agora é que os dois se coloquem em campos opostos, provocando um realinhamento das forças políticas do Estado.
Richa tenta atrair o apoio do PMDB, que tem o vice-governador Orlando Pessuti como pré-candidato à sucessão estadual. Com cerca de 5% das intenções de votos nas pesquisas, porém, a candidatura de Pessuti é bombardeada dentro do próprio partido, onde boa parte dos deputados não esconde a preferência por uma aliança com o tucano, por não acreditarem nas chances eleitorais do vice peemedebista.
O prefeito também tende a atrair apoios de outros partidos já aliados, como Democratas e PPS, além do PSB do vice, Ducci. Já Osmar negocia uma aliança com o PT, e espera com isso atrair o apoio de outros partidos da base do governo Lula, como PP, PTB, PR e PSC.
Com o anúncio da data de saída, o tucano deve intensificar as negociações em torno das alianças para a disputa. Oficialmente, porém, elas só devem ser confirmadas nas convenções partidárias de junho.
Dança das cadeiras - As mudanças na prefeitura devem atingir também outras posições de comando, já que vários secretários terão que sair para disputar as eleições. O irmão do prefeito, José Richa Filho, por exemplo, deve deixar a Secretaria Municipal de Administração para disputar uma vaga na Câmara Federal. O secretário de Governo, Rui Hara, deve sair para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Outro integrante do primeiro escalão que deve sair é a primeira-dama, Fernanda Richa, da Fundação de Ação Social (FAS), para atuar na campanha.